Virada estratégica: como dar o próximo passo sem perder o que você construiu
Se tem uma coisa que eu aprendi em todos esses anos como CEO da Editora Gente e acompanhando a carreira de tantos outros CEOs, empresários e líderes de negócios em mercados tão diversos é que a única constante no mundo empresarial é a mudança. Os tempos mudam sempre, ainda mais no mundo digital, e não só temos que nos adaptar para fazer nosso negócio sobreviver, mas temos que nos adiantar às novas ondas que virão, para não quebrarem na nossa cabeça.

Voltei a pensar nisso recentemente. Realizamos uma imersão sobre eventos com propósito e, dentre os convidados muito especiais, recebi minha querida autora e a quem admiro profundamente, Luiza Helena Trajano. Foi uma conversa muito rica e por isso decidi trazer dois insights para você, hoje:
A estratégia muda. Os valores, nunca.
Durante a imersão, Luiza Helena disse algo que ficou ecoando em mim: “A única coisa que não muda no Magazine é que ele sempre muda. Em tecnologia, em inovação, tem que mudar sempre. Mas há uma coisa que o Magazine não pode mudar: a sua cultura, os seus valores”. Isso me tocou profundamente porque é exatamente o que repito para os autores que acompanho. Seu posicionamento pode evoluir. Seus produtos podem mudar. Seu formato pode se reinventar. Mas o núcleo, o propósito que o trouxe até aqui, o que faz as pessoas confiarem em você, esse é inegociável.
A reinvenção necessária é aquela que preserva a essência. Quando você muda sem deixar claro o que permanece, você não se reinventa: você desaparece. E isso precisa ser vivido de dentro para fora. Todos os níveis da sua empresa – ou da sua operação, mesmo que seja só você e um pequeno time – precisam conhecer esses valores e expressá-los nos comportamentos do dia a dia, nas decisões, na forma como se comunicam. Não basta declarar. É preciso ritualizar.
A virada estratégica pede intencionalidade
O segundo insight veio de uma observação que a Luiza Helena fez sobre como o Magalu comunica suas grandes mudanças: eles se esforçam muito para trazer o time todo presencialmente, uma vez por ano, para um evento estratégico. São encontros com música própria, tema visual e, principalmente, uma mensagem central que todo mundo carrega para casa e que guiará todo o foco do Magalu para o próximo ciclo. O evento marca o início da implementação de uma nova estratégia.
Isso me fez refletir sobre algo que vejo acontecer com frequência entre quem está começando uma jornada de construção de autoridade: a tendência de anunciar mudanças importantes de maneira superficial, imediata, sem se preocupar em construir uma narrativa, um movimento, que traga as pessoas para perto durante essa virada.
Quando você está diante de uma mudança decisiva, seja de posicionamento, de produto ou de estratégia, ela merece um momento à altura. Pode ser um evento presencial, um encontro com sua comunidade, uma live com intenção clara. O formato importa menos do que a presença e o peso simbólico que você dá ao momento. Eu gosto de dizer que viradas importantes precisam ser marcadas. Precisa ter um antes e um depois reconhecíveis. E você, como líder, precisa ser o primeiro a vestir essa camisa, literal e figurativamente.
Quando isso acontece, sua mudança não gera confusão nem no seu time, nem na sua audiência. Ela fortalece a confiança e faz com que todos também se sintam parte do que virá pela frente.
Rosely Boschini
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