Ignorar a gestão ágil vai custar caro à sua empresa

Ao preparar as aulas para a Formação Ágil deste ano, eu tive uma experiência interessante. Revisando minhas pesquisas dos últimos três anos no doutorado em Engenharia da Computação, comecei buscando mecanismos de colaboração e arquiteturas organizacionais que permitem que empresas inteiras se tornem inovadoras e ágeis. Foi então que o Método Spotify e as novas plataformas de produtividade e comunicação chamaram a minha atenção.
Inicialmente, meu projeto de pesquisa tinha como objetivo conectar estratégias emergentes e novos modelos de planejamento estratégico às disciplinas da execução, como excelência operacional, agilidade, gestão de projetos e portfólios, DevOps e ProjOps. Porém, a pesquisa acabou tomando um rumo diferente, que eu gostaria de compartilhar neste artigo.
A gestão ágil tem raízes antigas, mas se tornou popular em 2001 com o Manifesto Ágil. Essa abordagem enfatiza equipes auto-organizadas, fases de desenvolvimento sobrepostas e aprendizado organizacional, entre outras características. Agilidade não significa apenas rapidez, mas também adaptabilidade e flexibilidade. Infelizmente, algumas pessoas usam a agilidade como uma desculpa para a falta de organização, o que resulta em fracasso.
No entanto, quando implementada corretamente, a gestão ágil traz mudanças significativas, além de promover a inovação.
Agilidade não é um modismo. Por favor, olhe com cuidado para o negócio que você administra e entenda que você precisa investir em processos e preparar bem as pessoas para entregar produtos e serviços rentáveis. Embora tenha sido deturpada por alguns, a gestão ágil tem trazido resultados positivos para empresas que a implementaram corretamente. Infelizmente, muitos "agilistas" criaram funções e hierarquias complexas e saturaram a abordagem com uma quantidade excessiva de certificações. Em algumas organizações, encontrei diversos cargos com diferentes nomes, cada um possuindo múltiplas certificações ágeis. No entanto, esses títulos e certificações nem sempre geraram resultados práticos para o negócio. É importante lembrar que, quando implementada de forma responsável e bem estruturada, a gestão ágil traz grandes benefícios para empresas de todos os tamanhos e setores.
Na Formação Ágil 2023, eu mostrei aos alunos uma figura que ilustrava 41 metodologias ágeis - uma descoberta surpreendente para muitos profissionais que estão começando no mundo da agilidade. Durante os meus quase 20 anos de carreira, aprendi que adotar um framework ou método não é suficiente para tornar uma equipe ou organização ágil. A verdadeira chave para o sucesso está na "transformação ágil", uma jornada para mudar os modelos mentais à medida que os valores, princípios, métodos e frameworks da agilidade são adotados pela equipe e organização.
Um artigo da Harvard Business Review explica como identificar os "modismos" em gestão, que são simples, prescritivos, servem para tudo, facilmente copiáveis e falsamente encorajadores. Infelizmente, muitos métodos e consultorias em agilidade hoje em dia se encaixam nessas categorias.
Com a crescente demanda por profissionais capazes de lidar com as mudanças rápidas e imprevisíveis do mercado, o desenvolvimento de bons gestores e equipes ágeis tem se tornado cada vez mais essencial. No entanto, essa transformação não acontece de um dia para o outro. Ela é um processo que envolve gestão de mudanças, novas competências e o envolvimento de stakeholders.
Como destaca a Forbes, a gestão ágil é uma das habilidades essenciais para os profissionais do futuro, e a Formação Ágil foi desenhada para abordar essa necessidade. Com modelos de competência, maturidade e acompanhamento desenvolvidos ao longo de três anos e aplicados em mais de 300 gestores de projetos, a formação visa criar gestores e equipes ágeis de alto desempenho. Embora as inscrições para este ano estejam esgotadas, decidi compartilhar um pouco dessas práticas com os leitores da revista Empresário Digital, a convite do meu amigo Marco Marcelino.
Mario Trentim
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