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Kalunga aposta em esportes na TV aberta para disputar atenção com gigantes do streaming

A Kalunga, tradicional varejista de papelaria e material de escritório, decidiu jogar em um campo onde poucos esperavam vê-la: o entretenimento esportivo. Controlando a concessão de um canal de TV aberta desde 2014, herança da antiga MTV Brasil, a companhia acaba de estrear um novo capítulo ao sublicenciar conteúdos da ESPN e lançar o canal X-Sports. A movimentação não é aleatória: é estratégica e baseada em números concretos de uma indústria que movimenta bilhões.

Por Gustavo Fleming Martins··2 min de leitura
Kalunga aposta em esportes na TV aberta para disputar atenção com gigantes do streaming

A Kalunga, tradicional varejista de papelaria e material de escritório, decidiu jogar em um campo onde poucos esperavam vê-la: o entretenimento esportivo. Controlando a concessão de um canal de TV aberta desde 2014, herança da antiga MTV Brasil, a companhia acaba de estrear um novo capítulo ao sublicenciar conteúdos da ESPN e lançar o canal X-Sports. A movimentação não é aleatória: é estratégica e baseada em números concretos de uma indústria que movimenta bilhões.

O consumo de esportes ao vivo é uma das últimas fortalezas da TV linear e, mais recentemente, se tornou peça-chave na guerra entre plataformas de streaming. A Amazon, por exemplo, alcançou em 2025 a liderança do mercado brasileiro de VOD (vídeo sob demanda), com 22% de share contra 21% da Netflix, segundo dados da JustWatch. A principal alavanca? A inclusão de partidas exclusivas de futebol nacional, com narração de Galvão Bueno e distribuição multiplataforma via CazéTV, fenômeno digital com mais de 10 milhões de inscritos no YouTube.

Ao sublicenciar conteúdos da ESPN, a Kalunga garante a transmissão de pelo menos sete torneios de futebol relevantes. A operação é feita em parceria com a Disney, que controla a marca ESPN e recentemente passou a explorar sublicenciamento como forma de amplificar o alcance de suas propriedades esportivas. O movimento também contribui para monetização de direitos já adquiridos pela gigante americana.

A incursão da Kalunga em mídia não é inédita, mas sempre encontrou barreiras. Após a extinção da MTV Brasil pelo Grupo Abril em 2013, a empresa assumiu a frequência com o canal Ideal TV, que fracassou. Em 2020, tentou novamente com a Loading, voltada à cultura pop e esports, encerrada em menos de um ano. Desta vez, o foco direto em esportes, segmento que concentra 60% da audiência ao vivo nos principais canais abertos, é uma tentativa de unir apelo popular com estabilidade de audiência.

O investimento pode parecer dissonante do core business da Kalunga, mas segue uma lógica de diversificação e branding. A marca aposta na verticalização da operação de mídia como forma de ampliar presença, construir awareness e até gerar novas fontes de receita. Em um país onde futebol movimenta mais de R$ 20 bilhões por ano, somando direitos, publicidade e consumo, a decisão tem lógica financeira, especialmente diante da crescente fragmentação da atenção do consumidor.

A disputa agora não é mais apenas entre canais de TV ou serviços de streaming. É por tempo, tela e relevância. E, nesse jogo, a Kalunga acaba de escalar seu novo time.

Autor

Gustavo Fleming Martins

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