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Nubank e BTG ajustam estratégias para mitigar o key man risk e preservar valor de mercado

O modelo de empresas com acionistas de referência, embora traga benefícios como maior apetite a risco, cultura organizacional forte e estabilidade de governança, expõe as companhias a um risco estrutural conhecido como key man risk. Nubank e BTG Pactual, duas das principais instituições financeiras da América Latina, abordaram o tema diretamente em análises recentes da Absoluto Partners, gestora que ouviu os principais líderes das duas organizações sobre suas estratégias para mitigação desse risco.

Por Gustavo Fleming Martins··2 min de leitura
Nubank e BTG ajustam estratégias para mitigar o key man risk e preservar valor de mercado

O modelo de empresas com acionistas de referência, embora traga benefícios como maior apetite a risco, cultura organizacional forte e estabilidade de governança, expõe as companhias a um risco estrutural conhecido como key man risk. Nubank e BTG Pactual, duas das principais instituições financeiras da América Latina, abordaram o tema diretamente em análises recentes da Absoluto Partners, gestora que ouviu os principais líderes das duas organizações sobre suas estratégias para mitigação desse risco.

O BTG, liderado por André Esteves, adota o modelo de partnership para distribuir a liderança entre diversos sócios, reduzindo a dependência de um único indivíduo. O banco, que gerencia cerca de R$ 1,7 trilhão em ativos sob custódia e apresenta crescimento composto anual de 23% nos últimos cinco anos, estruturou um processo de sucessão que visa preservar sua estratégia independentemente de mudanças inesperadas. Esteves distingue dois tipos de impacto: a disrupção, que é mitigada com regras claras e governança sólida, e a perda de estamina, relacionada à energia que o líder fundador imprime na operação, considerada mais difícil de ser tratada.

O Nubank, com 92 milhões de clientes ativos e receita líquida de US$ 8 bilhões nos últimos 12 meses, também reconhece o desafio. David Vélez, CEO e fundador, destacou que o banco digital trabalha intensamente para espalhar promotores da cultura interna em todos os níveis da organização. Segundo ele, a força da cultura é o principal mecanismo de defesa contra perdas de identidade estratégica caso haja mudanças na liderança. Vélez enfatizou a existência de um plano de sucessão formalizado, com múltiplos nomes sendo preparados, priorizando sucessores internos para garantir continuidade na execução de longo prazo.

O setor financeiro, responsável por cerca de 15% do PIB brasileiro, é particularmente sensível à instabilidade gerada por mudanças de liderança em empresas-chave. Casos históricos mostram que a ausência de um plano de sucessão estruturado pode reduzir o valor de mercado em até 30% em poucos meses, além de provocar fuga de talentos e perda de credibilidade junto a investidores.

A discussão sobre key man risk cresce em relevância à medida que empresas de fundador continuam dominando as Bolsas americanas e brasileiras. Dados da McKinsey apontam que empresas fundadas e lideradas por empreendedores originais representam mais de 40% do valor de mercado do S&P 500. No Brasil, as companhias de dono correspondem a 65% dos IPOs realizados entre 2019 e 2023, evidenciando a necessidade de equilibrar influência estratégica e governança robusta para sustentar o crescimento no longo prazo.

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Gustavo Fleming Martins

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