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Terreno do Jockey de São Paulo reacende disputa no mercado imobiliário com possível recuperação judicial

O terreno do Jockey Club de São Paulo, com mais de 600 mil metros quadrados, voltou ao radar de incorporadoras, construtoras e fundos imobiliários após o início do julgamento de um pedido de recuperação judicial apresentado pela gestão do hipódromo. A área, considerada estratégica por sua localização na Marginal Pinheiros, representa uma das últimas grandes oportunidades fundiárias dentro da zona urbana nobre da capital.

Por Gustavo Fleming Martins··2 min de leitura
Terreno do Jockey de São Paulo reacende disputa no mercado imobiliário com possível recuperação judicial

O terreno do Jockey Club de São Paulo, com mais de 600 mil metros quadrados, voltou ao radar de incorporadoras, construtoras e fundos imobiliários após o início do julgamento de um pedido de recuperação judicial apresentado pela gestão do hipódromo. A área, considerada estratégica por sua localização na Marginal Pinheiros, representa uma das últimas grandes oportunidades fundiárias dentro da zona urbana nobre da capital.

O Jockey enfrenta um passivo superior a R$ 500 milhões e vem operando com dificuldades, com queda expressiva no número de sócios — de 9 mil para pouco mais de 300 — e perda de relevância como centro de entretenimento e esportes. A eventual aprovação da recuperação judicial permitiria a venda dos ativos sem que os passivos fossem transferidos aos compradores, o que ampliaria o apetite de mercado. A unidade de Campinas, com metade do tamanho do hipódromo paulistano, já foi levada a leilão, avaliada em mais de R$ 170 milhões.

A área é classificada como Zona Especial de Preservação Ambiental (Zepam), o que limita novas construções a até 10 metros de altura. Adicionalmente, o conjunto arquitetônico é tombado por órgãos municipais e estaduais, o que impõe restrições legais para intervenções urbanísticas. Ainda assim, o setor imobiliário aposta em estratégias de divisão da área para aquisição em blocos menores, elevando a viabilidade de negociação e flexibilização dos entraves urbanísticos.

A gestão atual do Jockey manifesta intenção de manter parte da estrutura tombada e preservar uma pista de corridas, mas a continuidade do modelo associativo é incerta. Há resistência esperada de associações de moradores dos bairros vizinhos — como Morumbi, Jardim Paulistano e Jardim Europa —, enquanto a Prefeitura de São Paulo também acompanha de perto o caso, tendo débitos significativos a receber, principalmente de IPTU e ISS. Nos bastidores, fontes apontam que o próprio município poderia apoiar a recuperação judicial, considerando a futura arrecadação com novos empreendimentos.

A primeira instância judicial está dividida. O relator do caso, desembargador João Batista de Mello Paula Lima, entende que associações civis não são elegíveis para recuperação judicial. Contudo, precedentes no Superior Tribunal de Justiça indicam a possibilidade de aprovação, mesmo fora do escopo tradicional da legislação, o que pode prolongar a disputa por anos.

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Gustavo Fleming Martins

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