InovaçãoInteligência ArtificialNegóciosSOCIAL

Gorila encerra aceleração de consultorias e foca na consolidação do mercado

A fintech Gorila, especializada na consolidação de investimentos para o segmento B2B, decidiu encerrar sua frente de aceleração de consultorias financeiras iniciada em 2021. A empresa passará a concentrar sua operação no desenvolvimento e expansão de sua plataforma tecnológica, voltada à prestação de serviços para esse setor, que mais que dobrou de tamanho nos últimos três anos.

Por Gustavo Fleming Martins··3 min de leitura
Gorila encerra aceleração de consultorias e foca na consolidação do mercado

Fintech amplia escopo para capturar demanda de um setor em forte expansão

A fintech Gorila, especializada na consolidação de investimentos para o segmento B2B, decidiu encerrar sua frente de aceleração de consultorias financeiras iniciada em 2021. A empresa passará a concentrar sua operação no desenvolvimento e expansão de sua plataforma tecnológica, voltada à prestação de serviços para esse setor, que mais que dobrou de tamanho nos últimos três anos.

Segundo levantamento da própria Gorila, o número de consultorias registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) cresceu de 203 para 407 entre 2021 e 2024. No mesmo período, o total de consultores autorizados passou de 913 para 1.828, refletindo um crescimento médio de 25% ao ano. Esse avanço vem sendo impulsionado pela migração de profissionais da assessoria para a consultoria independente, modelo com remuneração baseada em taxas (fee based) e atuação sob regime de multicustódia.

A plataforma da Gorila consolida atualmente R$ 250 bilhões em patrimônio financeiro distribuídos em aproximadamente 2 milhões de portfólios monitorados diariamente. A empresa atende 115 instituições e planeja triplicar essa base até o fim de 2025. O foco será o aprimoramento das funcionalidades da plataforma, oferecendo aos consultores maior controle, métricas detalhadas e relatórios automatizados.

Dois nichos têm se destacado no consumo da tecnologia da fintech. O primeiro é composto pelas consultorias “puro sangue”, que atuam exclusivamente como consultores financeiros e já movimentam entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões em patrimônio. O segundo é o dos multi family offices, com atuação híbrida e volume estimado entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões. Com o fim do diferimento fiscal em fundos exclusivos, essa segunda categoria passou a demandar ainda mais soluções integradas para gestão e consolidação de ativos.

A movimentação ocorre em um momento em que o mercado de consultorias vive dinâmica semelhante à observada entre os assessores de investimento em 2016, segundo Guilherme Assis, CEO da Gorila. Na visão dele, o segmento caminha para uma consolidação com players mais estruturados, o que exigirá soluções mais robustas de tecnologia e gestão.

No processo de realinhamento estratégico, a Gorila vendeu recentemente sua participação na Vita Investimentos para a Turim. A Vita foi uma das cinco consultorias aceleradas pela fintech desde o início do programa. A empresa informou que não fará novos aportes e buscará ao longo do tempo compradores estratégicos para as demais investidas.

A plataforma da Gorila já permite a consolidação de ativos em diferentes instituições, incluindo investimentos offshore e criptoativos, embora nem todos os processos sejam automatizados. A expectativa da empresa é que o avanço do open finance permita maior integração e eficiência operacional.

No exterior, esse segmento é dominado por poucos players. Um dos principais é a americana Addepar, fundada em 2003. Em 2024, o Itaú firmou parceria com a Addepar para consolidar os patrimônios de clientes no Brasil e no exterior, com exclusividade temporária.

A Gorila busca ocupar esse espaço no mercado nacional. Em duas rodadas realizadas entre 2019 e 2021, a fintech captou US$ 28 milhões com investidores como Ribbit, Monashees, Canary, Iporanga e Apis Partners.

Autor

Gustavo Fleming Martins

Relacionados

InovaçãoInteligência ArtificialNegóciosSOCIAL

Amazon no Agro? Startup Aigen lança robô solar para capinar lavouras e mira Brasil

A startup americana Aigen, criada por ex-Tesla, está redefinindo o futuro do agro com seu robô Element, que usa energia solar, câmeras e braços mecânicos para “capinar” ervas daninhas em lavouras de forma totalmente autônoma. Um dos primeiros testes foi realizado nas plantações orgânicas da Bowles Farming, na Califórnia, onde os robôs eliminaram plantas invasoras em meio ao algodão, sem usar químicos e sem depender de mão de obra intensiva.

Por Gustavo Fleming Martins
InovaçãoInteligência ArtificialNegóciosSOCIAL

Marcas como produtoras de cultura pop?

Se antes o objetivo era aparecer entre um vídeo e outro no Instagram, agora as marcas querem ser o próprio conteúdo. Em uma virada estratégica, empresas como Starbucks, LVMH e Hennessy estão criando seus próprios filmes, séries e documentários, deixando de interromper o entretenimento para se tornarem o entretenimento. A tendência, que ganhou força em 2024, deve se consolidar como o novo normal em 2025.

Por Gustavo Fleming Martins
InovaçãoInteligência ArtificialNegóciosSOCIAL

Bradesco aposta em special situations e levanta R$ 215 milhões com fundo inédito no mercado de alta renda

A Bradesco Asset Management acaba de inaugurar sua atuação no segmento de special situations com a captação de R$ 215 milhões para seu primeiro fundo de fundos (FoF) dedicado exclusivamente a essa estratégia, voltado ao público private e investidores institucionais. Batizado de Explorer Discovery Special Situations FIC FIM, o produto superou a meta inicial de R$ 200 milhões e já alocou quase metade do capital em quatro gestoras especializadas: Lumina, Prisma Capital, IG4 Capital e SPS Capital (da Vinci Partners).

Por Gustavo Fleming Martins