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EMS articula nomeações no conselho da Hypera com apoio estratégico

A EMS, controlada por Carlos Sanchez, está em movimento para obter espaço no conselho de administração da Hypera Pharma. O grupo tem feito contatos diretos com investidores da companhia com o objetivo de viabilizar a indicação de até três conselheiros na próxima assembleia de acionistas. Entre os nomes cogitados está o investidor Lirio Parisotto, que mantém relações próximas com Sanchez.

Por Gustavo Fleming Martins··2 min de leitura
EMS articula nomeações no conselho da Hypera com apoio estratégico

Empresa busca ampliar influência na farmacêutica mesmo após proposta rejeitada

A EMS, controlada por Carlos Sanchez, está em movimento para obter espaço no conselho de administração da Hypera Pharma. O grupo tem feito contatos diretos com investidores da companhia com o objetivo de viabilizar a indicação de até três conselheiros na próxima assembleia de acionistas. Entre os nomes cogitados está o investidor Lirio Parisotto, que mantém relações próximas com Sanchez.

A movimentação ocorre após a tentativa de aquisição da Hypera pela EMS em outubro, quando foi feita uma proposta avaliada em cerca de R$ 30 por ação, prontamente rejeitada pelo conselho da farmacêutica. Desde então, o controlador da EMS tem ampliado suas ações nos bastidores, buscando apoio entre minoritários. Hoje, Sanchez detém entre 6% e 8% da Hypera, enquanto Parisotto possui algo entre 1,5% e 3%. Juntos, com base no voto múltiplo, teriam força para eleger um único conselheiro, mas pretendem aumentar esse número com o apoio de outros acionistas.

A possibilidade de um concorrente direto obter assento no conselho gerou reação imediata entre membros do board e investidores relevantes da Hypera. O próprio fundador, João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, sinalizou intenção de reagir à ofensiva da EMS. Desde a tentativa de aquisição, Júnior fortaleceu sua posição societária por meio de um novo acordo com investidores estratégicos. A aliança inclui o Grupo Votorantim e sócios mexicanos, que juntos passaram a controlar 54% do capital da empresa, formando um bloco suficiente para bloquear qualquer iniciativa adversa.

A proposta de nova composição do conselho, divulgada recentemente, reflete essa reorganização. A Votorantim indicou dois membros, incluindo seu CEO, João Schmidt. Júnior também retorna ao conselho, após sete anos afastado.

A disputa acontece em um mercado que movimenta cifras bilionárias. A Hypera, resultado de 26 aquisições e mais de cinco vendas de ativos, encerrou o último pregão com valor de mercado de R$ 12,7 bilhões. As ações da companhia estão cotadas a R$ 20, abaixo do valor atribuído pela proposta da EMS no ano passado.

A tensão jurídica também pode se intensificar caso o relacionamento entre Sanchez e Parisotto seja considerado uma possível coligação informal. Os dois mantêm vínculos financeiros e pessoais, o que poderia levantar questionamentos sobre a independência das indicações ao conselho.

A administração da Hypera está sendo assessorada por Bank of America e pelos escritórios BMA, Cescon Barrieu e Trindade Advogados. A expectativa é de que o embate se intensifique até a assembleia, em um cenário que envolve estratégias corporativas, alianças societárias e a governança de uma das maiores empresas do setor farmacêutico nacional.

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Gustavo Fleming Martins

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