Investimentos em startups crescem em 2024 e somam US$ 2,14 bilhões

Levantamento aponta recuperação do setor, mas ritmo segue abaixo do esperado
Os investimentos em startups brasileiras atingiram US$ 2,14 bilhões em 2024, representando um crescimento de 13,83% em relação ao ano anterior, quando o setor captou US$ 1,88 bilhão. O estudo Inside VC, realizado pelo Distrito e divulgado pelo NeoFeed, mostra que, apesar da alta, o volume total só supera o registrado em 2018, desconsiderando 2023, ano marcado pela retração do mercado.
O Brasil respondeu por 50% dos aportes realizados na América Latina, onde o volume total investido foi de US$ 4,27 bilhões, alta de 23,53% sobre 2023. No entanto, o número de rodadas de investimento no país caiu de 475 para 391. O México ficou em segundo lugar na região, com US$ 818,1 milhões investidos em 74 transações, seguido por Argentina (US$ 692 milhões), Colômbia (US$ 344,6 milhões) e Chile (US$ 138,6 milhões).
As fintechs mantiveram a liderança entre os setores que mais receberam investimentos no Brasil, concentrando 41,5% do volume total, o equivalente a US$ 889 milhões distribuídos em 84 rodadas. Outros segmentos também apresentaram destaque, como foodtechs (US$ 190,8 milhões em 17 rodadas), healthtechs (US$ 135,8 milhões em 37 rodadas), deeptechs (US$ 130,3 milhões em 23 rodadas) e agtechs (US$ 119,5 milhões em 20 rodadas).
Entre as maiores captações do ano no Brasil, a fintech Asaas recebeu um aporte de US$ 150 milhões, seguida por Celcoin e Contabilizei, que captaram US$ 125 milhões cada. O maior investimento na América Latina foi para a fintech argentina Ualá, que levantou US$ 300 milhões em novembro.
A pesquisa do Distrito indica que o setor de startups pode seguir em crescimento moderado em 2025, impulsionado pela adoção de inteligência artificial e novas tecnologias. A consolidação de fusões e aquisições no segmento de fintechs e a expansão de edutechs são tendências que podem influenciar o mercado no próximo ciclo de investimentos.
Gustavo Fleming Martins
Relacionados
InovaçãoNegóciosProdutos e Novidades>TecnologiaSalto Quântico, Cabeça Fria
A história da IQM no WebSummit Lisboa 2025 parece ficção científica, mas é só execução fria e ousadia técnica. Jan Goetz e Tom Henriksson revelaram como uma startup que começou com 12 milhões e nenhuma máquina funcionando virou líder global em computação quântica, levantou mais de 600 milhões e construiu a única fábrica privada de chips quânticos da Europa. É o capítulo mais concreto do salto quântico… onde laboratório, software aberto e ousadia humana se encontram para redesenhar o futuro da computação.
InovaçãoNegóciosProdutos e Novidades>TecnologiaNvidia enfrenta pressão geopolítica com acusações chinesas e mercado restrito para chips de IA
A Nvidia, empresa que lidera globalmente o fornecimento de chips para inteligência artificial, está no centro de uma disputa geopolítica que combina sanções comerciais, restrições tecnológicas e acusações de segurança cibernética. Após a proibição imposta pelos Estados Unidos à exportação de seus chips mais avançados — como o A100 e o H100 — para a China, a companhia desenvolveu versões alternativas “capadas” para o mercado asiático, sendo o H20 o principal modelo. Com menor largura de banda e desempenho limitado, o H20 foi projetado para cumprir os critérios regulatórios impostos por Washington sem abandonar o mercado chinês, que hoje representa cerca de 20% da receita global da empresa.
InovaçãoNegóciosProdutos e Novidades>TecnologiaFlapper mira expansão internacional após captação de R$ 5,8 milhões e avança rumo à verticalização
A Flapper encerrou recentemente uma rodada de R$ 5,8 milhões via crowdfunding na plataforma Eqseed, superando a meta inicial de R$ 4,8 milhões e reunindo 409 investidores. A startup, que já opera com breakeven e faturou US$ 49 milhões no último ano, aposta no modelo de capital pulverizado não apenas como reforço de caixa, mas como estratégia de marca: cada investidor também atua como embaixador do serviço. A rodada sinaliza maturidade no mercado de equity crowdfunding, já que empresas com faturamento superior a R$ 50 milhões começam a buscar esse canal como alternativa às rodadas tradicionais.