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Brasil enfrenta grandes desafios na reciclagem com índices abaixo da média global

Por Gustavo Fleming Martins··1 min de leitura
Brasil enfrenta grandes desafios na reciclagem com índices abaixo da média global

A baixa taxa de reciclagem revela barreiras estruturais e econômicas

No Brasil, a reciclagem enfrenta desafios que limitam o reaproveitamento de materiais descartados. Estima-se que apenas 4% a 9% dos resíduos gerados sejam reciclados, conforme dados da Abrelpe, ISWA, SNIS e Ipea. Esses índices colocam o Brasil entre os países que menos reciclam no mundo, enquanto a média global é de 13,5%. Regiões como América Latina e África têm taxas semelhantes, contrastando com países desenvolvidos como Alemanha, onde o índice de reciclagem alcança 69,1%.

Fatores como a falta de infraestrutura adequada, ausência de políticas públicas eficazes e baixa conscientização dificultam avanços no setor. Apenas 20% da população tem acesso à coleta seletiva, um serviço que custa até quatro vezes mais que a coleta convencional. Além disso, catadores, responsáveis pela maior parte do material reciclado, enfrentam baixa remuneração e priorizam resíduos de maior valor comercial.

A estrutura inadequada para triagem e reaproveitamento de materiais também é um gargalo. Muitas embalagens têm design que inviabiliza a reciclagem, e o mercado ainda carece de incentivos fiscais e regulatórios para tornar o uso de materiais reciclados competitivo frente às matérias-primas virgens.

Em comparação a países de renda semelhante, como Chile e África do Sul, que reciclam cerca de 16%, o Brasil tem potencial para melhorar seus índices. Investimentos em tecnologias de triagem e processamento, além de políticas que valorizem a economia circular, podem destravar esse mercado. O setor movimenta bilhões globalmente e é uma oportunidade para o país avançar na gestão sustentável de resíduos, contribuindo para a geração de emprego e renda.

Autor

Gustavo Fleming Martins