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E AGORA, O QUE VAMOS FAZER?

Por Marco Marcelino··3 min de leitura

Enquanto o governo gasta um dinheiro que não tem, o Brasil perde em credibilidade e perde posições importantes das agências de classificação de risco. Para se garantir nesse cenário, empresas e pessoas passam a comprar dólares para proteger seus investimentos. Assim, a moeda americana dispara em alta, eleva o preço dos produtos importados e alimenta a inflação que já é a maior desde 2002. Para evitar que a inflação aumente ainda mais, o Banco Central intervém na taxa de câmbio, aumentando a taxa de juros básica. Porém, o que acontece na prática é o aumento dos gastos do governo e um maior custo da dívida pública, encarecendo o crédito, fazendo as vendas despencarem e, consequentemente, também o resultado final do PIB.

Se já não bastasse esse progressivo desaquecimento na indústria, comércio e serviços, a arrecadação de impostos cai e o ciclo recomeça, aprofundando cada vez mais o processo de desaceleração da economia. Diante dessa situação, os empresários sentem a queda das vendas, tentam conter os gastos, realizam cortes e, infelizmente, muitos encerram seus negócios. Analisando o quadro todo, para muitos parece óbvio que dependemos do governo para reverter essa situação, certo? Em parte. É óbvio que uma parte desse problema cabe a nós resolver, tentando reverter essa política do governo, agindo no momento das eleições, cobrando ativamente os governantes ao invés de ficarmos olhando a situação, acreditando que essa é uma realidade distante e que não nos diz respeito. Mas também deveríamos criar a consciência e o entendimento de que é a soma das empresas que gera vendas, impostos, empregos e condições de consumo.

Mas, infelizmente, a maioria dos empresários busca somente tentar salvar o próprio negócio, isolando-se dos demais do seu segmento, perdendo a oportunidade de se criar uma única voz forte, condições e estratégias para enfrentar as dificuldades juntos e superá-las. Nesses momentos é comum encontrarmos empresas que aproveitam momentos como esses para anunciar o fechamento de um bom negócio. No entanto, muitos não entendem que os fatores que a levaram a concretizar o negócio se devem mais a escolhas do passado e péssimas práticas de gestão do que propriamente por excelentes condições e oportunidades geradas pelos benefícios que o produto oferece ou pela qualidade de sua equipe de vendas.

A pergunta então seria a seguinte: quais seriam as condições necessárias para que nossas empresas possam produzir, vender e entregar com qualidade e preço justo? Quais seriam as melhorias a serem introduzidas nos processos de compra e venda? Como operar no mercado arcando com todos os custos, investimentos, impostos e ainda ter lucro? Será que isso é possível? E se não bastassem todas essas variáveis complexas, ainda existe o fator concorrência, que sempre tenta conquistar o cliente oferecendo uma condição “melhor”. Empresários, profissionais de marketing, criativos etc, precisam aumentar a percepção das necessidades e desejos dos clientes depois de implementarem as mudanças de fato em seus negócios, sempre com base em valores verdadeiros. A era industrial acabou. Sejam todos bem vindos à era das coisas. Bem vindo à 2016.

Autor

Marco Marcelino

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